Sunday, May 27, 2012

Quer um docinho?

Há algo de muito sensual na vitória. Sobretudo se for à mesa de jogo. É um sobrolho franzido numa concentração imensa. Depois um som seco. Et voilá. Ela entra com uma facilidade estonteante, rodopiando sobre si própria, bailarina colorida rendida ao toque do taco num som seco mas eficaz, cujo eco fica nos ouvidos. O pano não amortece, nem o som, nem o desejo que suscita, num cliché em que nos visualizamos de quatro, à mercê de.

Há noites únicas, em que o quotidiano brinca às casinhas, dando-nos a normalidade pela qual tanto ansiamos. Há (a)braços que nos engolem, embalam e adormecem no sono, para no subconsciente nos procurarem, tactearem no escuro enquanto lábios, cujo sabor nos é tão familiar, murmuram: "dorme bem meu Amor".

Há Vida na vida, felicidade nos pequenos detalhes, alegria mesmo na luta da labuta, na puta da sobrevivência, porque viver vale sempre a pena quando se ama.

Há tu, eu, a cor do dinheiro, Amigos, confessionários improvisados, threesomes espirituais, momentos que se partilham, cumplicidades e tantas outras coisas com o mar ao fundo e a praia iluminada. Há promessas de Verão em ciclos que se repetem nas estações que se sucedem. 

É incrivelmente sensual observar-te e celebrar a tua pequena (grande) vitória. 

:)




Friday, April 27, 2012

Postais com muitaaaaa PINTA!

A Cabra desafiou. E a Star respondeu. E não, não é Anatomia de Grey, mas sim Anatomia da Star. Espero que gostes da pinta Cabra!

Grande desafio! Adorei participar!

(e obrigada ao fotógrafo!)

Thursday, April 19, 2012

na continuação da provocação postal...

Escrevia eu ontem que é curioso como algumas pessoas continuam deliberadamente a provocar os seus ex através dos meios de comunicação virtual...e mal sabia (ou antevia) o que se iria passar a seguir. Ou talvez antevisse, é esse o meu problema maior, tenho um nariz, um faro, um sexto sentido filho da mãe para certas coisas e alguns seres humanos.

Uma pessoa do meu passado andava a provocar-me sem dó nem piedade numa rede social. Fui ignorando, até porque não considero correcto que quando um relacionamento termina de forma especialmente traumática, seja possível duas pessoas continuarem o seu contacto. É necessário distância, afastamento, pois de outra forma não é possível seguir em frente. Depois há a questão do respeito individual, pois é uma questão de amor próprio. 

Mas ante-ontem foi impossível ignorar a forma como algumas imagens nostálgicas do passado eram exibidas, era mais do que óbvio que eram colocadas para me entrarem pelos olhos (e cérebro) a dentro. Continuei a fingir que não era nada comigo, porque não volto a desenterrar um morto. Quando alguém morre dessa forma para mim, eu jamais volto a deixar essa pessoa entrar na minha Vida. Acabou de uma vez por todas. Mas isso sou eu.

Ontem à noite, já tarde, preparava-me eu para ir para a cama quando o meu telefone tocou. Não reconheci o número e pensando tratar-se de algo importante àquela hora tardia, atendi. Quando ouvi a voz do outro lado, foi como se um raio me trespassasse. Estremeci da cabeça aos pés e o equilíbrio precário que reencontrei nesta semana já mais tranquila, voltou a desaparecer. Nos primeiros segundos fiquei sem pinga de sangue. A custo mantive a compostura, disse o que tinha a dizer e desliguei o telefone educadamente.

Hoje quando cheguei ao escritório tinha um email à minha espera.

Como é óbvio não respondi. Presumo que tenha ouvido algumas coisas porque Portugal é uma aldeia e sabemos sempre uns dos outros. Mas também não me interessa. Algures em minha casa dorme uma rosa escarlate que alguém um dia me ofereceu. Foi a única recordação que nunca deitei fora, para que me lembre sempre do sofrimento que me causou. Uma gota de sangue no meio da inocência dos Lírios brancos que alguém há muito tempo me ofereceu num gesto de amor hipócrita. Uma pessoa que para mim já não existe, porque pertence às cinzas do passado.

De facto, eu devo ser uma foda inesquecível, perdoem-me a presunção!

Wednesday, April 18, 2012

Das redes sociais, mensagens subliminares e outros postais

Gostava que me explicassem porque é que certas pessoas se dão ao trabalho (diário!!!) de mudarem as suas fotos e comentários nas redes sociais, simplesmente para provocarem os seus ex, em tentativas de mensagens veladas que se topam à milha para quem são. Acabam por fazer figura de tristes, revolvendo num passado que passou à história porque jamais voltará a ser como era, ou como foi. Caramba, acabou, é fazer o luto, esquecer e andar para a frente. De nada vale andar a postar fotos nostálgicas de tempos idos com comentários saudosos!!!

Bygones are bygones e não é pela provocação que levamos a água ao nosso moinho...

...é curioso como alguns seres humanos custam (a) esquecer! 

Monday, April 16, 2012

Open postcards

Às vezes a Vida engole-nos. Mergulhamos nela como numa onda gigante, que nos arrasta para o seu vórtice e nos enrola. A boca fica cheia de sal. Amarga. Queremos cuspir, mas de cada vez que abrimos os lábios entra mais água que ameaça afogar-nos. De nada serve estrebuchar. Quanto mais nos debatemos, mais nos cansamos.

Sou náufraga, exangue, e vim parar a uma praia desconhecida. Não reconheço a areia, nem as árvores que a ladeiam, sombra benéfica debaixo de um sol escaldante, abrigo e amparo nas noites de chuva torrencial? O cenário é tudo menos idílico.

Dois, três centímetros não é muito, mas é o suficiente para alterar uma série de coisas. Feminilidade escreve-se de muitas formas. Umas letras rabiscadas num papel e temos o destino mudado. É assustador como tudo muda numa questão de segundos.

O que mais me custou nos últimos tempos? Nem sei definir. Até poderia ser Voltaire e padecer de "un malade imaginaire", mas não seria isso o pior. Talvez o quebrar da inocência. Ah, sim, claro, e perder o(s) abrigo(s) também. Ninguém gosta de ser escorraçado. Sim, isso foi o mais duro. "Bomb Shelter" era o nome de um bar em Lisboa e há uns tempos atrás gostei de o transpor para o meu quotidiano.

Algures desenha-se a linha do horizonte. Longínquo. Ténue detalhe entre o turquesa do mar e o azul do céu. Inalcançável? Todos os sonhos o são, de um modo ou de outro, até partirmos para a sua concretização. Enquanto continuamos com o poder da visualização criativa, nada está perdido.

Do que preciso agora? Ahhhhhhh, será que é tão difícil adivinhar????

Uma fita de veludo, uma chave mestra e um abrir (virtual) de portas. Embora de tudo, o mais importante fosse...

Monday, April 2, 2012

Na véspera de um postal

Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranquilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranquilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fitando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!

(Álvaro de Campos)

Saturday, March 24, 2012

It's in the way that you post it!

Tacteio no escuro com medo do que vou encontrar. Tenho as palmas das mãos abertas, e quase não ouso mexer os dedos. A noite é longa, imensa, debruada pelo prelúdio do serão, onde nem sequer um copo de boca larga cheio de Douro tinto aquece a Alma. Os ponteiros arrastam-se e o silêncio é cortante, bisturi afiado que rasga a pele ao mais leve toque.

Estás desse lado e eu deste. A noite e o céu estrelado separam-nos. Ou talvez a Lua nos una no seu abraço de luz branca, friamente acolhedora num regaço lunar. Conto as Estrelas e procuro esquecer-me de tanta coisa, limbo memorizado num labirinto da mente.

Sou menina. Aterrorizada. Um nó no estômago, uma ansiedade indescritível. Mas sei-te. Algures na noite estrelada. E com essa certeza, repouso sobre os lençóis. Depois de uma noite escura, vem sempre a Luz de uma alvorada.